terça-feira, 28 de abril de 2009

Engano-me e faço de conta

Faço contos e embalo poemas
Desenho telas com palavras
Conheço cada bocadinho
Engano-me e faço de conta
Que sei…
Fazer contos,
Embalar poemas e
Desenhar telas com palavras
Se calhar não sei,
Mas agora sei
Que nunca foi assim
Da maneira
Que queria que fosse
Abro livros
Deixo-me levar pelas palavras
Acordo do sonho,
De navegar pelas sombras
Engano-me e faço de conta
Que sou quem sempre fui
Que desenho o tudo á minha medida
Que faço o mundo de palavras
Engano-me e faço de conta
Que sei ver com o coração
Que sei chorar a solidão
Que faço do meu próprio ser a ilusão
Engano-me e faço de conta…
Que sei…

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Por vezes...

Mais um dia que passou
E o desespero continua
O medo tomou conta de mim
Há muito que tudo
Deixou de fazer sentido
Escorrego e atropelo-me
No meio das palavras
Sinto o mundo girar
Sinto os dias passar
Sem dar conta que estou viva
Escondo-me no meu silêncio
Flutuo nos meus sentidos
Que se perdem no vazio
O vazio do meu mundo
O mundo onde por vezes
Aparece o sol e me deixa sorrir
O mundo onde por vezes
A solidão me toma de assalto
Deixo as correrias, as presas
E espero quieta
Em silêncio
Pondero e faço longas pausas
Nos meus pensamentos
Caminho ao longo das minhas palavras
E deixo o mundo girar
E deixo os dias passar…

terça-feira, 21 de abril de 2009

Escrevo

A ansiedade de escrever algo
Acalma o meu espírito
Traz a mim paz interior
A razão?
A razão porque escrevo tanto
E por vezes coisas
Tantas coisas sem sentido
Mas para mim é uma terapia
A terapia da escrita
Talvez lhe chame solidão
Há dias que parecem tão grandes
Outros que parecem tão pequenos
O reflexo das pessoas
Vê-se no que fazem
Vê-se nos seus gestos
A que se dedicam
Talvez este seja o meu reflexo
Escrever sem qualquer sentido
Escrever o que de repente me ocorre
Frases soltas
Que acabam por qualquer forma
Se ligarem
Eu, eu, eu e o meu mundo…

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Invasão

Invadi o que não queria
Invadi o que não podia
A curisidade da descoberta
A descoberta da realidade
A realidade do ser... Eu
Descobri o que não queria
Descobri o que não podia
O tudo revelou-se nada
O nada confessou o tudo
O céu ficou escuro
O sol perdeu a luz
O vazio tomou conta de mim
Corri sem rumo
Á procura da minha história
História que não existia
História que não passava de história
A vida que ficou
Escapou para bem fundo
Fundo, tão fundo
Que não voltou
Perdi a noção do tempo
Perdi a noção do mundo
Abro os olhos e estava ali
A um passo da invasão...